Recebi há poucos dias dois envelopes de uma pessoa do sul do Brasil, que me deixou surpreso e confuso. Como pode alguém colocar em duas pequenas correspondências tanta coisa envolvendo diversos assuntos, dando somente notícias desastrosas para a humanidade, como se Deus quisesse por todos os meios se vingar de nossas faltas e pecados cometidos contra a doutrina de Jesus e sua Igreja? O assunto abrangia vidência, política, maçonaria, candomblé etc. Uma verdadeira salada, que leva medo ao leitor. Li tudo com paciência. (…) Os recortes descreviam o que lhes parecia óbvio: com os nossos desmandos, estamos acabando com o nosso planeta. (…)
O documento me perturbou. Resolvi então entrar na Capela com o envelope, sentei-me, fechei os olhos e pedi: Senhor bom Deus, me ajuda a compreender essas coisas, para que eu possa passar aos outros, com sinceridade e correção, o que realmente está acontecendo. Senhor Jesus, permite que teu Anjo me visite mais uma vez. Espírito Santo de Deus, me ajuda a tirar as dúvidas a respeito de tudo isso.
Ao abrir os olhos vi, surpreso, o ‘menino’ que sempre me visita (o Anjo). Estava sentado ao meu lado, olhando e sorrindo para mim. Eu então exclamei:
– Ora, quem está aqui, pedi a Jesus que viesse e você veio!
Aquele Que Tudo Comanda, atendeu o seu chamado. Pegue na minha mão! (…)
Peguei na sua mão e procurei apertá-la um pouco mais, para confirmar se era real ou ilusório o que estava acontecendo. Ele me olhou mais uma vez, sorriu e disse:
– Procure acreditar, porque Aquele Que Tudo Comanda quer atender o seu pedido.
E caminhou em direção à porta da Capela. Eu o acompanhei
segurando em sua mãozinha e perguntei-lhe:
– Para onde está me levando?
– Não tenha medo. Você deseja alguns esclarecimentos; e é vontade d’Aquele Que Tudo Comanda atendê-lo.
Ao chegar à porta da Capela vi (…) três senhores sentados. Eles eram iguais. Então o Anjo me disse:
– Vamos, pergunte o que deseja esclarecer. (…)
– Vocês conhecem o conteúdo daquele envelope que deixei na cadeira da Capela?
– Conhecemos!
– Vocês acham que aquilo está certo?
– O que é certo? – perguntou o senhor da direita.
– Aquilo que nossa consciência dita como certo. – respondi.
– E quem lhe forneceu a consciência? – perguntou o da esquerda.
– Foi Deus! – respondi.
– O que dita a sua consciência? – perguntou o do meio.
– É para isto que pedi ajuda. Não sei!
– Como não sabe, se você mesmo disse que quem fornece a consciência é Deus? Como Deus pode lhe fornecer uma coisa que não sabe? – perguntou o do meio.
Eu fiquei desconcertado, sem saber como continuar, mas ainda assim falei:
– Olha, acho que está havendo uma confusão geral, estamos acabando com o mundo e queremos colocar a culpa em Deus.
– Você consegue culpar Deus por tudo que está acontecendo? – perguntou o do meio.
– Não. Se Deus criou tudo perfeito, e se tudo está dando errado é por culpa nossa.
– Respondeu certo! – disse o senhor da esquerda.
– O que mais quer saber? – perguntou o da direita.
– Desejo saber se tudo que está acontecendo no mundo é mandado por Deus, devido aos nossos desmandos com a natureza, e se estamos sendo castigados por isso.
– O que diz sua consciência? – perguntou o da esquerda.
– Me diz que estamos fazendo tudo errado com aquilo que Deus criou como bom, e por isso a natureza está e voltando contra nós, e não Deus.
– Falou muito bem! – disse o da direita.
– O que mais quer saber? – perguntou o da esquerda.
– Desejo saber se Jesus está retornando, e se isso tudo são avisos de seu retorno.
– O que diz sua consciência? – perguntou o do meio.
– Por que vocês apelam para minha consciência?
– Porque é nela que está a resposta que procura. – disse o da direita.
– Bom, no que li e entendi dos evangelhos, me parece que já estava nos planos de Jesus retornar à terra para dar continuidade à Igreja. E Ele escolheu esta ocasião em que estamos perdidos no meio de tantos desmandos, porque aí teremos a misericórdia ao invés do castigo.
– Continue. – me pediu o senhor da esquerda.
– Acho que Jesus não vem para julgar o mundo. Se vamos esperá-lo no meio de tanta confusão, falta de fé, e se estamos sem meios de interromper esse processo, somente através da misericórdia divina seremos salvos.
– Você tem certeza disso? – perguntou o da direita.
– Tenho!
– Por quê? – perguntou o senhor do meio.

– Porque somos fracos, e o poder de Deus é infinitamente maior que o nosso. E um poder deste não pode castigar o fraco, seria uma covardia.
– Você então não acredita nos castigos divinos? – perguntou o do meio.
– Claro que acredito! Mas acho que são individualizados. São os erros de cada um. Nós cavamos nossa própria ruína. Se todos estiverem errados, um só será o castigo. Mas se existem inocentes suficientes para uma salvação, Deus irá fazer as coisas de modo
que sejam castigados aqueles que pecaram.
– Existem inocentes suficientes no mundo de hoje, para que Deus individualize os castigos? – perguntou o da esquerda.
– Tenho certeza que existem!
– O que lhe dá tanta certeza? – perguntou o da direita.
– Minha consciência e a consciência de todos aqueles que amam a Deus e não desejam de forma alguma a destruição do mundo. Não podemos ser penalizados por desmandos cometidos por uma minoria. Tudo pode acontecer, porque desafiaram a natureza criada por Deus, mas será esse mesmo Deus que irá tirar os justos desse processo.
– Então acredita que Jesus retornará à terra para salvação dos justos? – perguntou o do meio.
– Acredito!
– Então acredita que Jesus será a perdição daqueles que desafiaram a natureza? – perguntou o da direita.
– Acredito!
– Isto não impede que muitos morram, pois Deus deseja o retorno da alma e não do corpo perecível. Será a alma a ser julgada pelos desmandos e não o corpo. E quando uma casa é mal administrada, grande é a ruína dessa casa, mesmo que nela morem justos. – disse o do meio.
– Então teremos problemas?
– Os alicerces da casa criada por Aquele Que Tudo Comanda foram abalados, não há mais conserto. Através de Jesus virá a misericórdia pelos justos e o castigo daqueles que contribuíram para a ruína dessa casa. – respondeu o da esquerda.
– Então o mundo será destruído?
– Não dissemos isto. – respondeu o da esquerda.
– Então, o quê?
– A destruição na medida daqueles que contribuíram para a ruína da casa. Não será o fim da casa, mas a oportunidade criada, por Aquele Que Tudo Comanda, para mostrar a força da misericórdia e transformar o que resta dessa ruína numa nova casa. – respondeu
o da direita.
– Entendi que teremos problemas materiais e que nossas culpas serão julgadas por Deus na medida de nossas responsabilidades com o mundo.
– Isto mesmo, entendeu bem! – falou o da esquerda.
– Por que Deus me proporciona esses diálogos?
O senhor do meio ficou de pé, aproximou-se de mim e chamou o Anjo, que parecia estar atrás de mim. Ele veio, ficou perto do
senhor, que lhe disse:
– Diga a ele por quê.
O Anjo pegou de novo nas minhas mãos, e eu vi uma cena inte-ressante: parecia um terremoto, muitas casas caindo, mares agitados, tempestades… e eu estava caindo num buraco enorme, quando uma mão me amparou.
E o Anjo me disse:
– A Mãe terrena d’Aquele Que Tudo Comanda sempre pede por você.
– Poderei me lembrar de tudo isto, para escrever?
– Você deseja escrever?
– Desejo!
– Então a Mãe terrena d’Aquele Que Tudo Comanda providenciará para que lembre de tudo isto.
Depois me vi na Capela, sentado, com tudo tendo voltado ao normal.