Jerusalém, Jerusalém!

 

(…)
O Anjo, vestido de moletom azul, disse ao Raymundo:
– Vocês brincam com o mundo, e o Senhor Deus desaprova isto!
– Eu não brinco com o mundo!
– Tem observado os sinais da natureza, que nada mais são do que os sinais do Senhor Deus?
– Tenho visto muitas catástrofes que assustam, mas acho que são caprichos da natureza, sempre aconteceram e acontecem a todo instante. A diferença é que hoje temos uma comunicação mais ampla, e essas notícias chegam depressa ao conhecimento público. Me desculpe, mas não vejo nisso sinais de um Deus
desaprovando a humanidade.
– Como você acha que isso poderia ser feito?
– Deus se mostrando a todos e falando diretamente!
– Já imaginou isso acontecendo?
– Francamente, não.
– Então, por que se deixa levar por situações que não conhece, e se as conhece não dá a devida importância?
– Pode me dar um exemplo do que conheço como sinais de Deus?
– Jesus foi o sinal concreto de Deus para com a humanidade.
E vocês creram nele?
– Não. Ao contrário, o crucificamos!
– Então, por que acha que agora Deus deva falar com vocês,
diretamente?
– Tá bom, só falei, não falo mais. Me desculpe.
– Preste atenção: a doce Senhora já o alertou sobre muitas coisas que acontecerão precedendo a volta de Jesus, e tudo está acontecendo conforme alertou. Agora, você tem apenas de formularizar isso como informação pública.
– Você está falando do livro1?
– Do livro e de muitas outras coisas que a doce Senhora lhe pediu.
Sua obrigação é somente tornar público. Só isto!
– Acho que isto não vai adiantar nada. Como eu, com um pequeno livro no Brasil, em Belo Horizonte, posso mudar a opinião de milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro, de raças e línguas diferentes?
– Daniel, Daniel, já o alertei: não chame sobre si o descontentamento do Senhor Deus, e nem coloque a doce Senhora como um simples instrumento de uma revelação a você sem importância e sem continuidade!
– Não desejo de forma alguma ofender a Deus ou a Nossa
Senhora, mas imagine o meu lado: é difícil acreditar que isto possa dar resultado.
– Eu não imagino nada, somente Deus e a doce Senhora podem imaginar o andamento das coisas. E elas devem ser feitas assim.
Ele começou então a jogar a bolinha no chão, fazendo-a repicar.
E eu disse:
– Por que você faz isso?
No mesmo instante, apareceu no ar uma mão na qual ele colocou a bolinha. Essa mão levou a bolinha até o rosto do Cristo crucificado, que tenho na entrada da Capela, e uma lágrima saiu do rosto de Cristo caindo na bolinha. O menino então disse:
– Jerusalém, Jerusalém!2

 

1- O livro a que se refere é: O Terceiro Segredo – A Vinda de Jesus, publicado por esta Obra Missionária em 2005 (lª Edição).
2- Mateus 23,37-39: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados. Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas, e não o quiseste! Eis que a vossa casa vos ficará abandonada, pois eu vos digo: não me vereis, desde agora, até o dia em que direis: Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”
*
* “Estas palavras (…) no contexto atual referem-se, sem dúvida, a uma volta posterior de Cristo, talvez à do fim dos tempos. Os judeus saudarão essa volta, porque eles se terão convertido (cf. Rm 11,25s).” – Bíblia de Jerusalém (1981).