Chegamos eu, Francisco Lembi e Irmã Gertrudes. Pedi aos dois que me acompanhassem, porque pela primeira vez uma viagem me deixava tenso. Eu e Francisco nos alojamos na casa dos padres tietinos. Irmã Gertrudes ficou na Casa Mãe da sua congregação. Ademar e Virgínia, que também nos acompanharam, já haviam chegado. Em Roma integramos a comitiva do Arcebispo de Aparecida (SP), Dom Damasceno.
No dia da audiência (30) fomos para a praça do Vaticano. Eu ainda não sabia ao certo se poderia ou não entregar a imagem ao Papa, pois tudo fazia crer que seria a Virgínia, prima do Arcebispo de Aparecida. Pouco antes, porém, Virgínia me passou o cartão credencial que recebera de Dom Damasceno, informando-o já na entrada. Ele estranhou o fato, mas não obstaculizou. E assim eu é que faria a entrega da imagem. Comecei a sentir mal-estar, mas fiz o possível para disfarçar, dado à importância do momento.

Chegando minha hora de estar com o Papa, tendo uma pessoa apenas à frente, vi que Sua Santidade levantou os olhos e os fixou primeiramente na imagem que eu levava e depois em mim. Num relance, pareceu-me ouvir dele, numa voz confusa e baixa:
– Daniel!
Assustei-me, e por pouco não tropecei no degrau da escada que
levava à Sua Santidade. Chegando, escutei-o dizer:
– É o sinal, é o sinal? Você é do Brasil e esta é Nossa Senhora Aparecida?
– Sim, Santidade, sou do Brasil e esta é Nossa Senhora Aparecida!
– É para mim?
– Sim, Santidade, é para o Senhor!
– É o sinal?
– Espero que sim, Santidade.
– Muito obrigado, não tenha medo!
Neste momento estendeu-me a mão e eu, meio sem jeito, beijei-a.
– Não tenha medo! Vá com Deus, não nos veremos mais! – disse.
– Por que diz isto, Santidade?
– Porque Deus assim determinou. Você conhece a importância de tudo isto?
– Não, Santidade.
Aqui, ele deu um discreto sorriso e disse:
– Não acreditarão, não me importo.
– Eu também não, Santidade.
Fiz menção de levantar, apoiando-me na cadeira do Papa, quando o ouvi dizer:
– A posteridade fará jus a tudo isto. Que Deus o abençoe! E não tenha medo, Maria é a Mãe da Igreja.
– Sim, Santidade, Maria é a Mãe da Igreja.
Saí e procurei me recompor, para continuar o dia.
Notei, depois, que este inusitado diálogo não foi percebido por ninguém, nem mesmo por Dom Damasceno, que estava ao meu lado. Fui instrumento de Nossa Senhora para dar um importante sinal ao Papa; mas acho também que este encontro ajudará muito a Obra Missionária. 

Roma – Praça do Vaticano – 30 de junho de 2004