Os responsáveis tiveram medo, deram trela à razão.
(…)
Senti uma mão sobre minha cabeça. Era de um dos três Anjinhos. Ele me disse: “A doce Senhora deseja lhe falar!” (…)
– A Senhora aqui, na Capela, como isto pôde acontecer?
– Sente-se perto de mim, precisamos conversar. (…)
– Senhora, nunca poderia imaginar que veio à terra por três vezes (Paris – Catarina Labouré, Lourdes – Bernadete e Fátima – Lúcia) e os responsáveis esconderam o verdadeiro motivo. Por quê?
– Porque tiveram medo, deram trela à razão.
– A Senhora sabia que isso aconteceria?
– Sabia, mas o Altíssimo não condena ninguém sem antes passar pelo crivo do erro e depois o julgamento. Meu Filho disse que nesta hora não haveria fé na terra.
Onde existe fé, se Sua própria Igreja esconde Seu retorno?
Os primeiros papas que souberam do meu pedido na capital francesa não acreditaram no recado, acorrentaram a mensagem nas gavetas do Vaticano e ordenaram outras providências, para que fosse cunhada a medalha que eles tinham idealizado. Catarina calou-se, porque não podia fazer nada diante das circunstâncias, mas morreu angustiada ao ver que meu pedido não foi levado a sério, como deveria ser. Anos depois, tentei de novo na França, desta vez numa pequena cidade, e lá proclamei:
“Sou a Imaculada, aquela que deve anunciar a vinda de Jesus, por isso estou aqui”. E Bernadete foi obrigada a proclamar ao padre Cros coisas que não pedi, e depois a encerraram num convento longe do lugar onde se encontrava comigo.
Quando o Papa da época teve o anúncio do fato, reportou-se ao anterior mas não acreditou, fez da gruta um local de peregrinação, e o meu pedido foi pela segunda vez engavetado no recinto do Vaticano. Não desisti, porque os planos do Altíssimo exigiam três tentativas, e isto foi completado nas terras portuguesas, foi a terceira menina por mim escolhida para a mensagem à Igreja. Pedi que fosse escrita e endereçada ao Papa alguns anos depois de minhas aparições em Iria. Tanto Benedito XV quanto Pio XI estavam por demais ocupados e não deram importância ao que falei. Depois Pio XII veio a saber de meus pedidos em Paris, Lourdes e Iria, e declarou ironicamente que aquilo não lhe dizia respeito.
João XXIII quis remediar o problema abrindo a Igreja ao mundo, pedindo um concílio. Achava que desta forma o Evangelho seria proclamado com maior liberdade e Jesus retornaria no coração das pessoas, e não como Eu tinha declarado em Paris, Lourdes e Iria. Resolveu, por conta própria, engavetar também meus pedidos para que a Igreja proclamasse esse retorno de Jesus.
Paulo VI, na trilha das omissões dos papas anteriores, nada fez, preocupou-se com o concílio, construção de salas, aumentou o número de cardeais não italianos e morreu angustiado, em 1978, por ter ciência da omissão de que fora parceiro.
Seu sucessor, João Paulo I, ao tomar conhecimento de meus pedidos, quis tomar providências, mas foi interrompido aos 33 dias de seu pontificado pelas pessoas que não queriam que esse anúncio fosse feito.
João Paulo II viveu atormentado, quis proclamar a verdade, mas foi obrigado a ir a Iria para tentar dar um ponto final naquilo que dava dor de cabeça à Igreja.
Eu fiz acontecer sua ida a ele para, numa última tentativa, incentivá-lo a falar a verdade, mas tudo em vão, não teve coragem. Ele era meu escolhido para falar a verdade, mas o príncipe deste mundo venceu, fazendo prevalecer o racional. (…)
Agora nada resta a fazer, meu pequeno Daniel, não posso lhe obrigar a nada, como nunca obriguei a ninguém. Fiz o que tive de fazer, proclamei em Paris, Lourdes e Iria; e Belo Horizonte foi minha reta final neste processo. Hoje faz anos que lhe permiti que colocasse suas mãos em meus pés. Hoje passo em sua cabeça minhas mãos, sabendo que de você tudo será feito. Mesmo sabendo da derrota, que Jesus está a caminho, nada poderá impedi-lo, nem o fermento desses fariseus que você tanto lembra.
– Senhora, me permite uma última observação?
– Pode falar.
– A Senhora é tão poderosa, por que não falou disso diretamente aos papas, ao invés de falar com meninas que seriam manipuladas?
– Não sou poderosa, somente o Altíssimo é poderoso, e para que Eu possa vir até a alguns, conforme venho a você, são necessários alguns quesitos que são raros, que os papas dessas épocas não os tiveram.
– E La Salette?
– Chorei por não poder falar.
– E Medjugorje?
– Seriam manipulados e agravaria mais o estado de João Paulo. (…)
– Como posso proclamar isso, sabendo que não terei êxito?
– Proclame-o, mesmo sabendo que a Igreja não aprovará sua ati-tude.
É o Davi diante do Golias. Tem nas mãos uma pequena arma que é a chave das interpretações das palavras de Jesus. Jogue-as a público e, se for da vontade do Altíssimo, o gigante tombará. Eu disse SIM a Deus num momento adverso, diga agora seu SIM a esta verdade, sinta que pode com a ajuda de Deus fazê-la frutificar, porque você não é padre, eles não poderão encerrá-lo num convento, não poderão calar sua voz. Você foi escolhido pelo Céu e ficarei a seu lado até o último momento, para recebê-lo aqui onde estou. Estou oferecendo a Deus minha vitória pelo dever cumprido, faça o mesmo, e será tranquilo. Lembra que não lhe prometi nada neste mundo? Por que me cobra então vitórias racionais? (…) 

Capela Magnificat – Segunda-feira, 2 de abril de 2007