Tinha programado ir a Tiradentes (MG), a fim de providenciar uma coroa para Nossa Senhora de Belém, e não fiz mais nada, não conseguia me concentrar noutra coisa, só pensava no que tinha visto pela manhã. Cheguei em casa por volta das 18:30 horas e ainda encontrei algumas pessoas na Capela. A Missa tinha sido celebrada pelo padre Domingos. Fiquei ali conversando um pouco com elas. Por volta das 24 horas, como não conseguia dormir, voltei à Capela.
Fazia muito calor. Sentei-me no chão e comecei a falar,
sozinho, em voz alta: Por que isso, meu Jesus, por que isso vem a mim? Não posso fazer nada… E tive uma crise de choro descontrolada, não conseguia parar de chorar. Devo ter ficado nesta situação por uns 10 minutos, quando senti uma mão sobre minha cabeça. Era de um dos Anjinhos, não sei qual, pois eram iguais.
Ele me disse:
– A doce Senhora deseja lhe falar!
Levantei-me rapidamente e perguntei a ele:
– Onde está Ela, onde está Ela?
– Venha, vou levar você onde está a doce Senhora, venha comigo!
Pegou em minha mão e me conduziu pelo corredor da Capela até a sacristia. Quando entrei, Nossa Senhora estava na mesma cadeira em que tinha sentado anos atrás. A sacristia é pequena e por causa da cadeira mal cabem duas pessoas. Maria Santíssima estava com um vestido branco, que cobria quase toda a cadeira. Por alguns instantes fiquei estatelado à porta, sem voz e sem atitude. Sentia que meu coração ia sair pela boca, sem nada falar e sem saber o que fazer, apenas olhava para Ela. Depois consegui dizer:
– A Senhora aqui, na Capela, como isso pôde acontecer?
– Sente-se perto de mim, precisamos conversar.
E perguntou:
– Está perturbado com o que viu?
– Sim, estou muito perturbado, porque isso que vem acontecendo é gravíssimo e não posso fazer nada para remediar.
– Eh, não poderá fazer nada para remediar, mas poderá fazer essa verdade ser anunciada.
– Como? De Belo Horizonte, com poucos recursos, com esses padres, bispos e cardeais me perseguindo? Senhora, me permite uma observação que me acompanha desde quando veio falar comigo no apartamento?
– Sei qual é, mas fale, porque desta forma seu pensamento se ordenará e nosso diálogo terá curso. Fale.
– Fiz tudo o que me pediu, mesmo sabendo que nada posso diante do poder da Igreja; lhe obedeci, mesmo quando sentia que não teria forças para as tarefas solicitadas; a Senhora me fez acreditar que eu seria aprovado pela Igreja e depois a Senhora mesma disse que não estava interessada em aprovações. Colocou do meu lado, primeiro, um padre cassado pela Igreja e depois um segundo meio desmiolado. Tirou de mim recursos e pessoas que me ajudavam; hoje restam poucos.
– Tem mais alguma coisa? – Ela perguntou sorrindo.
– Tenho, mas não interessa, acho que já estou sendo indelicado.
– Muito do que falou, quem lhe deu foi o príncipe deste mundo, sabendo que estou lhe passando uma tarefa árdua, e você tem sido provado arduamente sobre ela. É minha luta, mas desde que consegui de você uma sinceridade de espírito, uma liberdade de palavra, conseguindo interpretar as lições de meu Filho no Evangelho, coisas ocultas que foram reveladas apenas a você, manteve-se correto na maioria das decisões, não se deixou levar pelo fermento desses fariseus do seu século, meu Coração Imaculado venceu.
Neste tempo, lhe dei uma Basílica para falar, pessoas que estão viabilizando os livros, uma casa para morar, esposa dedicada, filho temente a Deus e, não é de seu conhecimento, uma legião de pessoas, padres e leigos que reconhecem sua dedicação a mim e estarão do seu lado na hora certa. Meu Filho em sua casa é uma resposta do Céu a meu apelo.
– Mas, Senhora, nunca poderia imaginar que veio à terra por três vezes e os responsáveis esconderam o verdadeiro motivo. Por quê?
– Porque tiveram medo, deram trela à razão.
– A Senhora sabia que isso aconteceria?
– Sabia, mas o Altíssimo não condena ninguém sem antes passar pelo crivo do erro e depois o julgamento. Meu Filho disse que nesta hora não haveria fé na terra. Onde existe fé, se Sua própria Igreja esconde Seu retorno?
Os primeiros papas que souberam do meu pedido na capital francesa não acreditaram no recado, acorrentaram a mensagem nas gavetas do Vaticano e ordenaram outras providências, para que fosse cunhada a medalha que eles tinham idealizado. Catarina calou-se, porque não podia fazer nada diante das circunstâncias, mas morreu angustiada ao ver que meu pedido não foi levado a sério, como deveria ser. Anos depois, tentei de novo na França, desta vez numa pequena cidade, e lá proclamei: “Sou a Imaculada, aquela que deve anunciar a vinda de Jesus, por isso estou aqui”. E Bernadete foi obrigada a proclamar ao padre Cros coisas que não pedi, e depois a encerraram num convento longe do lugar onde encontrava comigo.
Quando o Papa da época teve o anúncio do fato, reportou-se ao anterior mas não acreditou, fez da gruta um local de peregrinação, e o meu pedido foi pela segunda vez engavetado no recinto do Vaticano. Não desisti, porque os planos do Altíssimo exigiam três tentativas, e isto foi completado nas terras portuguesas, foi a terceira menina por mim escolhida para a mensagem à Igreja. Pedi que fosse escrita e endereçada ao Papa alguns anos depois de minhas aparições em Iria. Tanto Benedito XV quanto Pio XI estavam por demais ocupados e não deram importância ao que falei. Depois Pio XII veio a saber de meus pedidos em Paris, Lourdes e Iria, e declarou ironicamente que aquilo não lhe dizia respeito.
João XXIII quis remediar o problema abrindo a Igreja ao mundo, pedindo um concílio. Achava que desta forma o Evangelho seria proclamado com maior liberdade e Jesus retornaria no coração das pessoas, e não como Eu tinha decla-rado em Paris, Lourdes e Iria. Resolveu, por conta própria, engavetar também meus pedidos para que a Igreja proclamasse esse retorno de Jesus.
Paulo VI, na trilha das omissões dos papas anteriores, nada fez, preocupou-se com o concílio, construção de salas, aumentou o número de cardeais não italianos e morreu angustiado, em 1978, por ter ciência da omissão de que fora parceiro.
Seu sucessor, João Paulo I, ao tomar conhecimento de meus pedidos, quis tomar providências, mas foi interrompido aos 33 dias de seu pontificado pelas pessoas que não queriam que esse anúncio fosse feito.
João Paulo II viveu atormentado, quis proclamar a verdade, mas foi obrigado a ir a Iria para tentar dar um ponto final naquilo que dava dor de cabeça à Igreja.
Eu fiz acontecer sua ida a ele, para numa última tentativa incentivá-lo a falar a verdade, mas tudo em vão, não teve cora-gem. Ele era meu escolhido para falar a verdade, mas o príncipe deste mundo venceu, fazendo prevalecer o racional. (…)
Agora nada resta a fazer, meu pequeno Daniel, não posso lhe obrigar a nada, como nunca obriguei a ninguém. Fiz o que tive de fazer, proclamei em Paris, Lourdes e Iria; e Belo Horizonte foi minha reta final neste processo. Hoje faz anos que lhe permiti que colocasse suas mãos em meus pés. Hoje passo em sua cabeça minhas mãos, sabendo que de você tudo será feito. Mesmo sabendo da derrota, que Jesus está a caminho, nada poderá impedi-lo, nem o fermento desses fariseus que você tanto lembra.
– Senhora, me permite uma última observação?
– Pode falar.
– A Senhora é tão poderosa, por que não falou disso diretamente aos papas, ao invés de falar com meninas que seriam manipuladas?
– Não sou poderosa, somente o Altíssimo é poderoso, e para que Eu possa vir até a alguns, conforme venho a você, são necessários alguns quesitos que são raros, que os papas dessas épocas não os tiveram.
– E La Salette?
– Chorei por não poder falar.
– E Medjugorje?
– Seriam manipulados e agravaria mais o estado de João Paulo.
Em seguida fez uma pausa, e olhando para mim disse:
– Peço que sobre o assunto a seguir não fale a ninguém, até sua volta do México.
– México? O que é isto, de que se trata?
– Desejo lhe falar sobre o meu sinal na colina de Tepeyac.
– Senhora, eu não posso ir, por razões óbvias. Estou velho, com muitas dificuldades físicas, não tenho dinheiro.
– Mas Eu o desejo lá, no dia 13 do mês de junho deste ano!
– Dia 13 de junho?
– Sim, dia 13, por volta das 10 horas da terra estará lá,
assistirá a uma Missa celebrada por um bispo latino, e durante as ofertas falarei consigo.
– Por que a Senhora não fala aqui?
– Porque desejo lhe falar lá!
– Eu não tenho como realizar seu desejo.
– O desejo é de Jesus, a vontade de cumpri-lo é minha e a tarefa em estar lá é sua, com minha ajuda, entendeu?
– Como fará isso?
– Não se preocupe, farei isso acontecer.
– Por que não posso falar sobre isso? O Francisco (Lembi) sempre me diz que devo falar estas coisas antes que aconteçam, para dar credibilidade a seus assuntos.
– Confie na lógica do Francisco, que é correta; mas, se colocar isso a público, sei que pessoas estranhas a meu projeto irão financiar sua ida ao México. Eu não quero que isto aconteça.
– A Irmã Gertrudes está falando em ir ao México desde o ano passado, é isso?
– Proibo-o de falar sobre este assunto com Gertrudes de Lourdes.*
– Como posso proclamar isso, sabendo que não terei êxito?
– Proclame-o, mesmo sabendo que a Igreja não aprovará sua atitude. É o Davi diante do Golias. Tem nas mãos uma pequena arma que é a chave das interpretações das palavras de Jesus. Jogue-as a público e, se for da vontade do Altíssimo, o gigante tombará. Eu disse SIM a Deus num momento adverso, diga agora seu SIM a esta verdade, sinta que pode com a ajuda de Deus fazê-la frutificar, porque você não é padre, eles não poderão encerrá-lo num convento, não poderão calar sua voz. Você foi escolhido pelo Céu e ficarei a seu lado até o último momento, para recebê-lo aqui onde estou. Estou oferecendo a Deus minha vitória pelo dever cumprido, faça o mesmo, e será tranqüilo.
Lembra que não lhe prometi nada neste mundo? Por que me cobra então vitórias racionais?
Estou indo, mas estarei sempre a seu lado.
Dizendo isto, Ela desapareceu.
Fiquei por algum tempo na Capela e depois subi para escrever tudo isto. Era muita coisa, mas tudo tinha ficado gravado em minha memória e precisava escrever o mais rápido possível.

*Passei a viver dias terríveis, porque sabia que estaria no México no dia 13 de junho, mas não sabia como. Irmã Gertrudes insistia para acompanhá-la, mas eu não tinha dinheiro. Fiz de tudo para que a viagem não vingasse. Não procurei ninguém para formar um grupo. Lutei para que isso não se realizasse por minha vontade. Por várias vezes fui chamado à agência para confirmar minha ida, e não fui. Insistia que, se isso acontecesse, haveria de ser por intermédio de um “milagre”. Meu passaporte estava vencido, a Polícia Federal em greve, mas, como que por milagre, tudo se arranjou em um só dia. Foi quando apareceu o dinheiro para a viagem. Na terça-feira anterior, insisti com Nossa Senhora na Basílica de Lourdes, e Ela me mandou um santinho com a imagem da Virgem de Guadalupe, para que eu não esquecesse do compromisso. Foi quando cedi e esperei o dia 10 de junho para a viagem que, sabia, não seria fácil.


    
Segunda-feira, 02 de abril de 2007 – Vila Del Rey
Livros: Veni, Domine Iesu! (pág. 65) e Raymundo Lopes
– Daniel – Uma Incógnita dos Finais dos Tempos (pág. 183)