São tempos de crise...finais?

Um dia, perto do nosso imaginário, onde Jesus está, o Papa relatou sua história, mas outro homem no Brasil estava vivendo o ápice dessa crise. O maior dos cristãos, o representante de Cristo na terra, estava tenso, trêmulo, inconformado. Jamais esteve tão abatido, eram aquelas cartas chegando, cobrando-lhe uma solução. Tentava dominar a agitação de sua mente, mas fracassava. Tentava animar-se, dizendo para si mesmo que sairia daquele atoleiro, mas sentia em sua ansiedade que era mais fácil gerenciar uma paróquia do que o catolicismo mundial. Tomava comprimidos tranquilizantes mas não se aquietava, seu coração parecia um cavalo incontrolável num hipódromo, sua face gotejava como plantas destilando o orvalho. Pulmões ofegantes, pressão sanguínea elevada, dores musculares, cefaleia frontal, eram sintomas que refletiam que estava sob um risco altíssimo por ignorar o que as cartas queriam dizer. Mas, a morte não estava batendo-lhe à porta, pelo menos fisicamente. Seu cérebro clamava: “fuja enquanto é tempo”; mas, no entanto, não podia bater em retirada, “afinal de contas sou o Papa”. E o que o aterrorizava além disso: todos confiavam nele. Ratzinger, um homem baixo, levemente corcunda pela idade, cabelos grisalhos, personalidade determinada, autoritário, combativo e ferino nas respostas, eloquente e com alto poder de persuasão, pela primeira vez estava emudecido diante daquelas cartas. “Sua Santidade está tenso, deseja um café?” - perguntou-lhe apreensivo seu ajudante, seu assessor de confiança. “Não me perturbe!” - respondeu-lhe o Papa asperamente; depois tentou ser brando: “São essas cartas que me matam”. O motivo estava cortando a carne do brilhante representante de Cristo, o gênio da cristandade. Ratzinger aceitou uma armadilha que ele mesmo tinha armado (ser Papa), recebeu um aporte (subsídio, contribuição, ajuda) de um grande líder e organizou a Igreja conforme seu entender. No início tudo cresceu; porém, nos últimos anos, tinham despencado. A Igreja pedia um pastor, mas seu forte era a teologia. Vamos superar em santidade tentando acalmar Ratzinger, pois já eram quarenta e tantas cartas e, além dos dividendos de sua teologia interesseira, ele ganhara a impressionante fama de sábio, ele pensava diferentemente dos demais. “Este ano, pararam de me entregar essas cartas”, mas pela primeira vez a Igreja dava prejuízo de fé, e assim sendo, seria zero sua participação. “São tempos de crise”, disse seu assessor! “Era um fato o acidente de fé que estava abatendo sobre a Igreja, não funciona com anestésico, falhei no controle de qualidade”, o Papa completou com indisfarçável frustação.

      Raymundo Lopes

A Renúncia ao Anúncio
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